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Infertilidade masculina: por que tantos homens fazem FIV sem investigar a causa?

10 de dezembro de 2025

A infertilidade masculina subdiagnosticada é um problema crescente e silencioso. Apesar de quase 40% dos casos de infertilidade conjugal terem origem no fator masculino, muitos homens não passam por uma avaliação completa antes de o casal partir diretamente para a Fertilização in Vitro (FIV). Essa lacuna leva a tratamentos desnecessários, desgaste emocional e custos que poderiam ser evitados.

Com a publicação da primeira diretriz mundial sobre infertilidade da OMS, em 2025, o tema ganhou mais visibilidade: a investigação deve ser completa para ambos os parceiros, e o fator masculino precisa ser avaliado com a mesma atenção dada ao feminino, antes de recomendar tratamentos de alta complexidade.

Apesar dos avanços da medicina reprodutiva, ainda existem barreiras para o diagnóstico masculino:

1. Falta de sintomas e pouca informação

A maioria das condições que afetam a fertilidade masculina, como varicocele, alterações hormonais, inflamações ou problemas genéticos, não causam dor ou sinais evidentes. Sem sintomas, muitos acreditam que “está tudo bem” e não buscam avaliação.

2. Tabus e resistência ao exame andrológico

O desconforto ou vergonha com exames andrológicos ainda é uma realidade. Na prática, isso faz com que a investigação comece pela mulher, deixando o fator masculino como última etapa ou como etapa ignorada.

3. Exames incompletos

Um espermograma isolado não oferece diagnóstico completo. É preciso avaliar histórico clínico, hormônios, anatomia, estilo de vida e, quando necessário, exames de imagem.

Quando esse conjunto de falhas ocorre, muitos casais acabam iniciando FIV mesmo quando havia uma causa tratável no homem, como:

  • varicocele, corrigível por microcirurgia, com melhora significativa da produção espermática;

  • infecções genitais, tratáveis com antibióticos e acompanhamento;

  • alterações hormonais, que respondem bem a terapias específicas;

  • hábitos prejudiciais, como tabagismo, álcool, estresse e obesidade.

Ou seja, em diversos casos, o casal poderia alcançar a gravidez espontânea ou com tratamentos menos complexos, se o diagnóstico masculino tivesse sido feito no momento certo.

A nova diretriz da Organização Mundial da Saúde reforça que:

  • o cuidado com a fertilidade deve estar presente na atenção básica;
  • a investigação deve ser completa para ambos os parceiros;
  • o atendimento deve ser proativo, e não apenas uma resposta quando o casal decide fazer FIV;
  • o fator masculino deve ter igual importância na jornada reprodutiva.

Esse posicionamento coloca o diagnóstico masculino no centro do cuidado, algo defendido por especialistas há anos e que agora com respaldo internacional.

A avaliação do fator masculino deve começar cedo. As diretrizes internacionais recomendam que casais tentando engravidar há 12 meses sem sucesso realizem uma investigação completa. Quando a mulher tem 35 anos ou mais, esse prazo reduz para 6 meses, para evitar perda de tempo reprodutivo.

O ponto central é que a avaliação inicial deve ser conjunta, envolvendo história clínica do casal, exame físico e exames laboratoriais e de imagem. No caso do homem, os principais exames incluem:

  • espermograma completo, com análise funcional e morfológica;
  • avaliação hormonal (testosterona, FSH, LH, prolactina);
  • ultrassom testicular com Doppler, fundamental para identificar varicocele e alterações estruturais;
  • fragmentação do DNA espermático, útil em falhas de FIV e abortamentos recorrentes.

Essa investigação permite identificar causas tratáveis e muitas vezes simples, reduzindo a necessidade de partir direto para a FIV, que passa a ser considerada quando:

  • alterações graves e irreversíveis nos parâmetros seminais;
  • os tratamentos específicos para o homem não foram eficazes;
  • existe fator feminino associado (como baixa reserva ovariana ou endometriose avançada);
  • o casal busca maior rapidez, especialmente quando a idade feminina reduz a janela fértil.

Ainda sim, mesmo quando a FIV é o caminho escolhido, investigar corretamente o fator masculino continua sendo essencial. Um diagnóstico correto melhora as taxas de sucesso, orienta a melhor estratégia (como ICSI, TESE, otimização hormonal) e oferece ao casal um plano mais seguro e indicado ao caso.

A infertilidade masculina subdiagnosticada exige atenção, precisão e cuidado compartilhado. Na Clínica Medicina Reprodutiva, seguimos as diretrizes mais atuais, acompanhando os avanços da ciência e mantendo um olhar atento a cada detalhe da saúde do casal.

Nosso compromisso é oferecer no diagnóstico, um caminho seguro e um acompanhamento que respeite a história e o tempo de cada família. 

Se você e seu parceiro estão em investigação ou têm dúvidas sobre fertilidade, estamos aqui para te orientar. Agende uma avaliação e dê o primeiro passo para uma jornada reprodutiva mais segura e personalizada.

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