Existe uma relação estreita da condição clínica “síndrome metabólica” versus “síndrome do ovário policístico” (SOP) com reprodução humana. Mulheres que tenham a SOP possuem várias características semelhantes à síndrome metabólica. Mulheres com SOP possuem quase sempre alterações metabólicas associadas com resistência à insulina, tais como aumento dos hormônios androgênicos, que levam a intolerância à glicose (aumento da glicemia), acúmulo central de gordura (aumento de circunferência da cintura), aumento de pressão arterial, e alterações nos lipídios plasmáticos (triglicerídeos e HDL). Ou seja, exatamente os fatores envolvidos na síndrome metabólica.

De acordo com o médico Fábio Eugênio, especialista em reprodução humana, a presença de obesidade, caracterizada por índice de massa corporal acima de 30 kg/m2, e que é muito comum em mulheres com SOP, acentua ainda mais as características da síndrome, tanto do ponto de vista da síndrome do ovário policístico, como da síndrome metabólica. Segundo Eugênio, trabalhos científicos de grupos brasileiros, como da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, atestam que a síndrome metabólica é muito comum em mulheres com SOP. “No estudo feito naquela universidade a síndrome estava presente em 17% das pacientes magras, e até 64% das pacientes obesas com SOP. É muito frequente!”, ressalta o médico.

Mulheres com SOP e síndrome metabólica têm sua fertilidade alterada basicamente por fatores ovulatórios (anovulação), como é tradicional nos casos de síndrome do ovário policístico. Entretanto, neste grupo de mulheres, existem características particulares de disfunção metabólica que requerem especial atenção do especialista que está tratando a subfertilidade associada.

“Há evidências científicas inequívocas de que a obesidade em si já é um fator de subfertilidade. Estas mulheres, além de maior dificuldade para conseguirem engravidar, quando conseguem, sofrem de uma série de riscos adicionais, tais como aumento da possibilidade de aborto precoce, diabetes mellitus gestacional, doença hipertensiva na gravidez (pré-eclâmpsia), e risco de vida para o recém-nascido”, explica o doutor Fábio.

Tratamento

A linha de tratamento básico passa sempre por um grande esforço no sentido de correção das alterações metabólicas, antes da tentativa de gravidez propriamente dita. A linha mestra desta etapa inicial é a perda de peso, através de reeducação alimentar e programa de atividade física. Tudo sempre supervisionado por profissionais especializados, já que nestes casos existe dificuldade adicional de perda de peso pela própria doença (SOP).
Esta perda de peso, com consequente diminuição dos riscos metabólicos, é tão importante que muitas vezes é o único tratamento necessário. Com perda de peso e gordura corporal, principalmente abdominal (cintura), muitas mulheres regularizam seus ciclos menstruais, voltam a ovular, e até engravidam naturalmente”, observa o médico Fábio Eugênio.

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