O óvulo é, sem sombra de dúvida, a célula mais importante no processo de reprodução humana. Logicamente, a qualidade do espermatozoide é também relevante. Mas em muitos casos de fertilização, mesmo uma qualidade baixa do espermatozoide pode ser compensada por um óvulo excelente, levando à formação de um embrião com capacidade normal de implantação.

Por isso é muito frustrante para a mulher quando ela não tem óvulos de boa qualidade para a fertilização in-vitro (FIV), já que as chances de sucesso ficam muito comprometidas. Este fato pode decorrer de situações fisiológicas, como a idade da mulher, ou de doenças que comprometam a qualidade dos óvulos como a endometriose.

Nestas situações, a fertilização in-vitro (FIV) com doação ovular surge como uma excelente solução para aumentar as chances de gravidez na FIV.

RESERVA OVARIANA BAIXA OU DOENÇA OVARIANA

Quando é feita a avaliação do casal para FIV, um dos exames mais importantes é o de reserva ovariana. Através de ultrassom transvaginal e exames hormonais (FSH e AMH) podemos inferir como vai ser a produção de óvulos maduros na estimulação do ovário.

Esta reserva ovariana vai caindo continuamente com a idade, queda esta que não pode ser postergada ou revertida. Desta maneira, após os 44 ou 45 anos, com raras exceções, a reserva ovariana já é muito baixa, ou mesmo já está esgotada. Além disso, a qualidade dos óvulos também é baixa, implicando ainda em aumento dos riscos genéticos. A baixa qualidade genética leva a maior risco de aborto, ou nascimento de crianças com doenças cromossômicas.

Todos estes dados tomados em conjunto, indicam que as chances de gravidez nesta mulher são muito pequenas. Segundos dados internacionais, as chances de bebês saudáveis decorrentes de tratamentos de FIV, em pacientes após os 44 a 45 anos são em torno de 2 a 3%.

Outras situações em que os óvulos têm baixa capacidade de fertilização são doenças ovarianas que podem comprometer sua reserva, como a endometriose. Nesta patologia, além de menor reserva, os óvulos tendem a ter menor qualidade, e os embriões formados podem não ter capacidade para implantar.

Existem ainda situações em que mulheres jovens, com boa reserva, tenham óvulos de qualidade baixa por algum fator genético, ou mesmo as situações ditas idiopáticas, quando não há um fator detectável.

Todas estas situações se beneficiam da doação ovular.

A DOAÇÃO DE ÓVULOS

Neste processo, a mulher que tem reserva ou qualidade de óvulos baixa, ou ambos, recebe óvulos de outra mulher. Este óvulo é fertilizado com o espermatozoide do cônjuge da receptora, e os embriões formados são implantados no útero da receptora.

É um processo com excelentes chances de sucesso, por vários motivos, que vamos explicar a seguir.

As doadoras são pacientes até 30 anos de idade, e, portanto, com óvulos de excelente qualidade. Não podem ter história pessoal ou familiar de doenças genéticas. E não podem ter doenças que comprometam a qualidade dos óvulos.

Desta maneira, a qualidade dos embriões formados é quase sempre excelente. Este fator é primordial para que se tenha altas taxas de implantação na FIV com óvulo-doação.

Outro fator é que a receptora vai fazer apenas preparo endometrial do endométrio para a implantação do embrião. Assim, não está submetida a altos níveis de hormônios como a doadora. Estudos científicos indicam que o endométrio fica mais receptivo neste caso.

QUEM SÃO AS DOADORAS?

Em geral são mulheres que estão fazendo o tratamento por algum fator masculino (marido) de subfertilidade, ou que já tentaram métodos mais simples de tratamento sem sucesso. Como são jovens (até 30 anos), produzem muito óvulos em um estimulação ovariana, acima de 10 a 15 na maioria das vezes. Já que não vão necessitar de tantos óvulos para o seu tratamento, elas concordam e assinam termo de doação, doando parte dos seus óvulos para mulheres que estejam precisando.

A doação deve ser completamente anônima. A doadora e receptora não se conhecem. Cabe à equipe clínica fazer o processo de maneira que exista a maior semelhança possível (racial, cor de pele, fenótipo, etc) entre elas.

Havendo o preenchimento dos critérios requeridos, o casal receptor é contactado. Obtemos amostra de sêmen do marido da receptora, e fazemos a fertilização dos óvulos doados.

ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DA DOAÇÃO

O Conselho Federal de Medicina permite e regulamenta a doação de óvulos. Apenas exige que sejam seguidos os critérios de sigilo médico, anonimato entre as partes (somente a equipe médica tem estes dados). Ambas as partes devem preencher documentos de consentimento informado, garantindo que estão cientes de todas as etapas do procedimento médico e concordando com sua realização.

No momento que ocorre a doação, os óvulos passam a pertencer à receptora. Ela que vai gestar o embrião e dar à luz, e, portanto, todos os direitos legais de maternidade são da receptora. Assim também entende a jurisprudência brasileira.

O Conselho de Medicina ainda prevê duas situações de doação: a doação espontânea, e a doação compartilhada. Na doação espontânea a paciente doa parte dos óvulos em excesso produzido, sem nenhuma contrapartida. Na doação compartilhada, a receptora ajuda a doadora nos custos das medicações utilizadas na estimulação ovariana.

Na verdade, a demanda por doação de óvulos é muito maior do que a oferta, e precisamos tornar este processo mais conhecido e mais comum no Brasil. Em muitos países a doação de óvulos é um processo rotineiro. Na Espanha existe um grande programa de doação espontânea, como no caso de doação sanguínea no Brasil. Desta maneira, o tratamento com doação é muito realizado naquele país.

Acreditamos que com a divulgação da técnica, e explicação dos passos, possamos sensibilizar mais mulheres a realizar este gesto tão bonito e sublime que é a doação de óvulos.

Boa leitura! Boa semana!

27 Comentários para “Como funciona a doação de óvulos?”

  1. carla disse:

    Boa noite quero saber se eu posso Fazer seminacão artificial eu fi laquiadura há 5 anos

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Carla,

    Neste caso tem que ser a fertilização (FIV).

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  3. Emmy disse:

    Estoy en tratamiento para Inseminacion Artificial y ya llevo dos semanas con estimulación de Ovarios y cada vez más dosis y como tengo ovarios Piliquisticos serían vagos Pir eso ??

  4. fabioeugenio disse:

    Oi Emmy,

    Os ovários policísticos podem ser um pouco resistentes, e por isso necessitar doses maiores de estimulação.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  5. Larissa Torres disse:

    Olá Doutor Fabio, fiz a punção aspirativa 11 dias atras, vou congelar os embriões para o próximo ciclo e até agora não fiquei menstruada. Gostaria de saber qual o tempo médio até o novo ciclo. Obrigada

  6. fabioeugenio disse:

    Oi Larissa,

    A média é exatamente 8 a 10 dias para menstruar.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  7. juliana disse:

    retirei os dois ovarios e tenho utero e trombas pode ainda ter um filho com fertilizacao

  8. fabioeugenio disse:

    Oi Juliana,

    Pode sim, mas com óvulos doados.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  9. simony maria alves disse:

    Ola tenho 29 anos e gostaria de ser doadora de ovulos pos quero que também alguem me ajude na minha fertilização 8187259869 obrigado pode me chamar no zap e o mesmo numero

  10. fabioeugenio disse:

    Oi Simony,

    O primeiro passo é consultar em uma clínica de reprodução, para avaliar se você tem perfil de doadora.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  11. Gamalher Corrêa disse:

    Quais os documentos/exames que posso exigir do médico com relação aos óvulos doados?

  12. fabioeugenio disse:

    Olá,

    Os exames relativos à saúde da doadora, inclusive sorologias para doenças transmissíveis.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  13. Mirian disse:

    Gostaria de ser doadora de óvulos. Tenho 32 anos é possível…

  14. fabioeugenio disse:

    Oi Mirian,

    Em geral é possível ser doadora até os 35 anos.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  15. Ana disse:

    Olá boa noite! Dr eu gostaria de doar meu óvulos. O preço da fiv fica menor ou alguém que quer meus óvulos para ajudar obg!

  16. fabioeugenio disse:

    Oi Ana,

    O primeiro passo é contactar uma clínica de reprodução assistida, e ver a possibilidade da doação compartilhada.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  17. tatiana pereira campos disse:

    conteúdo muito bom, esclarecedor.

  18. Boa noite Dr!
    Tenho 37 anos e tenho endometriose, o senhor acha que há alguma possibilidade de eu ser doadora de óvulos?
    Obrigada

  19. fabioeugenio disse:

    Oi Carla,

    Não há, pois a idade recomendada para doação é até 30 anos.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  20. Talita Cavalcante Calil disse:

    Boa noite Dr. tenho endometriose e passei por 4 cirurgias, e perdi um ovário e as duas trompas, só me resta um ovário será que posso ser doadora tenho 26 anos
    Desde já agradeço,
    Talita

  21. fabioeugenio disse:

    Oi Talita,

    Tem que avaliar, mas em geral quando há doenças que possam comprometer a qualidade dos óvulos, não é possível haver doação.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  22. Tatiane disse:

    Quais exames necessários fazer para realizar a doação?

  23. fabioeugenio disse:

    Oi Tatiane,

    Exames de avaliação de reserva ovariana, e sorologias para doenças transmissíveis.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  24. kamy disse:

    Ola como ser doadora tenho 30 anos quero fazer fvi sou laqueada ouvi fala que o tratamento fica bem em conta quando se e doadora alguem pode me auxiliar sou de goias

  25. fabioeugenio disse:

    Oi Kamy,

    O primeiro passo é marcar consulta em clínica de FIV para avaliar sua reserva ovariana.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  26. Nayara disse:

    Ola Boa Noite. Tenho 25 anos ea dois anos atraz tive cisto no ovarios e tavam grandes ja. O medico nao conseguio salvar meus ovarios e arracaram. Eu tenho chance de engravidar realizar um sonho que me tira todas as noites.
    Se eu poder como eu faco, onde me diz valor so preciso de ajuda 😟

  27. fabioeugenio disse:

    Oi Nayara,

    Se você perdeu os ovários, tem chances de engravidar na fertilização (FIV) com óvulo-doação.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

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