No Domingo (13 de Outubro), participamos do curso sobre Endometriose e Subfertilidade, ministrado por especialistas da Universidade de Yale (Connecticut) e Carolina do Sul – EUA, e da Universidade de Leuven, da Bélgica. O coordenador foi o Dr. Hugh Taylor, de Yale.

As primeiras aulas abordaram os complicados aspectos genéticos e bioquímicos relacionados à etiologia (causa) e patofisiologia (desenvolvimento da doença) na endometriose.

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A endometriose consiste na presença do endométrio, o tecido que reveste internamente o útero, em locais fora da cavidade uterina podendo atingir o peritônio, ovários, tecidos fibrosos da pelve, bexiga, intestino, etc.

A teoria mais aceita para a causa desta doença é a da menstruação retrógrada, que é o fluxo de células endometriais que descamam junto com o sangue da menstruação, e através das trompas chegam à pelve. Porém apenas isto não explica completamente a doença, pois este fenômeno ocorre em praticamente todas as mulheres!!

Parece que existe uma conjunção de fatores associados. Além da menstruação retrógrada, a mulher deve ter alterações genéticas e imunológicas que predispõem ao desenvolvimento da endometriose. E também células provindas das células tronco da medula óssea podem dar origem à endometriose – para vermos como o assunto é complexo e ainda pouco entendido.

O endométrio ectópico da endometriose altera também a característica do endométrio normal (da cavidade uterina). Assim existe aumento da produção de estrogênio local, e resistência à ação da progesterona, que sabemos ser fundamental ao preparo do endométrio para a implantação embrionária. Este parece ser um dos mecanismos pelo qual a endometriose diminui a fertilidade feminina.

Em outra aula deste curso os tratamentos clínicos (com medicamentos) da endometriose foram revistos. As medicações hormonais que levam ao bloqueio da função ovariana e hipoestrogenismo continuam a ser a base do tratamento. Porém, apenas melhoram o quadro de dor, não interferindo em nada na fertilidade. Várias medicações não-hormonais têm sido exaustivamente estudadas: antiinflamatórios, imunomoduladores, estatinas, inibidores de aromatase. Porém, estes tratamentos não-hormonais ainda são utilizados apenas em nível de pesquisa, notadamente em animais, e ainda não podem ser utilizados clinicamente como tratamento para a endometriose.

Em relação ao tratamento cirúrgico da endometriose – videolaparoscopia –, existe uma tendência a indicar a cirurgia com maior liberalidade. Efetivamente, quando realizada por grupos com experiência neste procedimento e nesta doença, a cirurgia melhora os sintomas clínicos (dores) e parece também favorecer a fertilidade.

Portanto, em pacientes jovens com suspeita clínica e/ou ultrassonográfica de endometriose, e que sejam subférteis, a videolaparoscopia está indicada para tentar melhorar esta fertilidade e permitir uma gravidez espontânea.

Porém nos casos em que a FIV esteja indicada, o benefício da cirurgia prévia ainda é controverso, e deve-se avaliar cada caso, dependendo da idade da mulher, reserva ovariana, tempo de subfertilidade, e presença de endometriomas (cisto de endometriose ovariana).

No geral a endometriose permanece aos olhos da medicina reprodutiva como uma doença multifatorial, de diferentes apresentações clínicas, e diferentes prognóstico. Por isso, o tratamento tem que ser considerado em cada caso particular, mas sempre acompanhando o que as evidências científicas têm estabelecido como conduta mais correta e eficaz.

A partir de segunda (14/10) se iniciam as atividades de Congresso propriamente dito, com conferências, mesa redondas e apresentações de trabalhos científicos. Vamos conferir tudo e passar em primeira mão para vocês. Até breve!

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