Os dois primeiros dias do Congresso em Boston-EUA, neste sábado (12/10) e domingo (13/10), já foram muito intensos. Nestes dias ocorrem os cursos de pós-graduação, cujo conteúdo é ministrado pelos principais especialistas do mundo em cada área.

No sábado, participei do curso sobre interação endométrio e embrião, abordando assuntos relativos aos mecanismos de implantação embrionária: o que acontece nas falhas repetidas de implantação, e o que fazer para melhorar a chance de sucesso. O curso foi coordenado pelo Dr. Antonis Makrigiannakis da Universidade de Creta, na Grécia.

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Foi destacada a importância da qualidade endometrial e do desenvolvimento da chamada janela de implantação: é o período do ciclo, após a ovulação, no qual o endométrio está plenamente receptivo ao embrião. É fundamental o papel da progesterona, e de várias outras substâncias químicas como as citocinas e fatores de crescimento.

Outra aula deste curso abordou a redução da qualidade endometrial que ocorre em pacientes com resistência insulínica. O aumento da insulina plasmática leva a diminuição de fatores fundamentais na implantação embrionária, como a Glicodelina. Os casos mais conhecidos em reprodução humana onde ocorre este fenômeno são em mulheres com obesidade (aumento do IMC), e mulheres com a Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

Esta alteração endometrial leva a aumento dos riscos de perdas gravídicas. Portanto, é fundamental que estas mulheres consigam perder ou mesmo normalizar seu peso corporal antes do tratamento, pois este fato vai ajudar em muito a possibilidade de uma gravidez de sucesso.

A terceira aula abordou duas situações que também podem comprometer a implantação embrionária, e levar a abortos de repetição: as trombofilias, e as doenças tireoidianas. Estas patologias devem ser pesquisadas, e tratadas, quando necessário, em todas as pacientes com história de insucesso reprodutivo.

Por fim, na última apresentação do curso, o Dr. Makrigiannakis nos brindou com uma excelente atualização, muito bem embasada em evidências científicas, sobre o difícil quadro das falhas repetidas de implantação. São aqueles casos em que bons embriões são transferidos em endométrio de boa qualidade, e, repetidamente, a paciente não engravida.

Muitos estudos estão sendo feitos nestes casos, mas sua conduta ainda é muito difícil. Deve-se fazer uma investigação extensa, de fatores uterinos, hormonais, genéticos, trombofílicos, endometriais e imunológicos. Corrigidos todos os fatores que possam estar impedindo a gravidez, as evidências parecem indicar que estas pacientes também se beneficiariam dos seguintes procedimentos: Assisted Hatching (afinamento da zona pelúcida do embrião com Laser); Histeroscopia com scratching (escarificação) endometrial no ciclo prévio à FIV; Uso do GH (hormônio do crescimento) em casos selecionados. E alguns estudos promissores têm apontado para o preparo endometrial com injeção de concentrado de células sanguínea mononucleares (linfócitos e monócitos) antes da transferência embrionária – ainda em pesquisa clínica.

No próximo post vamos falar sobre o curso que participamos no domingo! Continuem acompanhando as nossas publicações via Twitter e Facebook. Até lá!

5 Comentários para “Congresso Americano de Medicina Reprodutiva – ASRM 2013 – Dia 1”

  1. Ana Virgínia disse:

    Fico imensamente feliz e com mais certeza que escolhi o profissional certo para me acompanhar. Percebe-se o quanto é capacitado, inteligente e procurar se atualizar e se aperfeiçoar no que faz e faz com maestria.
    Hoje, conversando com a dona da academia que malho, Adriana Teófilo, quando soube que eu estava sendo acompanhada pelo Dr. Fábio Eugênio, ela disse: “você está em boas mãos, pois estudei com ele e faz jus ao sobrenome Eugênio, pois é um GÊNIO”.
    Obrigada, Dr. Fábio.
    Abraço.
    Virgínia

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Virgínia,

    Obrigado pelas palavras carinhosas e pela confiança. Mande um abraço para a Adriana, minha colega dos tempos escolares.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  3. gilvana disse:

    Ola, eu tenho 31 anos e uma filha de 13 anos e um filho de 5 anos meu casamento não deu certo. E agora estou em novo relacionamento e o meu parceiro não tem filho e eu gostaria se eu posso como reverter a laqueadura ou um outro método pra engravidar. E que médico devo procurar tbm. Obrigada

  4. fabioeugenio disse:

    Oi Gilvana,

    Consulte especialista em reprodução, para definir se no seu caso é melhor reverter a laqueadura, ou partir diretamente para a fertilização in-vitro (FIV).

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  5. Claudiana disse:

    É, nossa q falar sobre este profissional.
    Extremamente atencioso, anjo enviado por Deus, seremos eterna mente gratos. Abs…

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