Uma desaceleração nos mecanismos de reparo do DNA pode explicar, em parte, por que os óvulos das mulheres diminuem rapidamente sua quantidade e qualidade na meia idade, revela um estudo inédito da universidade de New York – USA.

As mulheres nascem com cerca de um milhão de células progenitoras de óvulos (os folículos primordiais), mas apenas 500 destes vão amadurecer e serem liberados como óvulos, ou ovócitos, geralmente um a cada mês, no decorrer da vida reprodutiva da mulher. Todos os demais óvulos imaturos vão sofrer processo espontâneo de degradação (apoptose) e morrer, sendo que a razão por trás deste fenômeno tem permanecido em grande parte obscura.

Explicando o estudo, o Dr. Oktay Kutluk, que liderou o estudo publicado na revista Science Translational Medicine, disse: “Eu acho que nós encontramos uma teoria geral do envelhecimento reprodutivo“. O referido médico, professor da New York Medical College, é um dos principais pesquisadores do mundo na área de Medicina Reprodutiva, tendo inúmeros trabalhos publicados em conceituadas revistas científicas.

O estudo inclui trabalho em ovócitos humanos e de cobaias (camundongos), demonstrando que o dano ao DNA em ambos aumenta com a idade. Além do aumento do dano ao DNA, os pesquisadores também mostraram um declínio relacionado com a idade na expressão de um grupo de genes essenciais para a reparação de danos no DNA, incluindo os genes BRCA1 e BRCA2.

Todos nós temos genes BRCA1 e BRCA2. A função destes genes é reparar danos celulares e do DNA, mantendo os tecidos crescendo de maneira saudável. Quando existem mutações sua função fica alterada. O papel destes genes, quando alterados, no risco para câncer de mama em mulheres já está bem determinado. Já se sabe também que na espécie humana, mutações no gene BRCA1 estão ligadas a menor reserva ovariana (perda mais acelerada de óvulos).

No estudo, óvulos de camundongos modificados para expressarem níveis baixos de genes de reparação de DNA foram expostos ao peróxido de hidrogênio, uma substância com conhecido poder oxidante (radical livre) e que danifica o DNA. Como se esperava, as taxas mais elevadas de danos no DNA foram observadas nestes óvulos, quando comparado com os controles (óvulos não expostos à substância). Porém, óvulos de camundongos mais velhos manejados para aumentar sua expressão BRCA1 suportaram a exposição ao peróxido de hidrogênio de maneira semelhante aos óvulos de camundongos mais jovens.

Em um comentário que acompanha o estudo, o Dr. David Keefe, da Universidade de Nova York, diz que as descobertas fornecem novas evidências convincentes de um novo mecanismo para “explicar por que os óvulos de uma mulher tornam-se disfuncionais com a idade”.

Dr. Oktay afirma que a aplicação das suas pesquisas pode finalmente encontrar um tratamento para ajudar a manter a eficiência dos mecanismos de reparo do DNA do óvulo, que por sua vez pode estender a janela de fertilidade de uma mulher. “Este tratamento pode ser capaz de estender a capacidade da mulher de ter filhos saudáveis até seus 50 anos ou mais“, disse ele à Bloomberg News.

No entanto, ele acrescentou: “Precisamos descobrir por que com a idade a eficiência de reparo do DNA diminui. Então, nós poderemos manipular completamente este processo”.

COMENTÁRIO DO DR. FÁBIO EUGÊNIO

Trata-se de estudo científico extremamente interessante e promissor. Os nomes dos cientistas e das instituições envolvidas na pesquisa trazem um respaldo muito grande à seriedade e fidedignidade dos dados reportados.

Um dos dogmas irrefutáveis da medicina reprodutiva é, exatamente, o processo de envelhecimento ovular. Na verdade ele já começa quando a mulher ainda está no ventre de sua mãe, e segue, irreversível, durante toda sua vida. Este processo é o principal fator de redução da fertilidade da mulher.

E, até hoje, não se encontrou nenhuma forma de desacelerar, bloquear, e muito menos reverter este processo. Quando não há óvulos de qualidade, é extremamente difícil conseguirmos gravidez, mesmo lançando mão de tratamentos muito especializados como a fertilização in-vitro (FIV).

Portanto, este estudo traz um alento e uma esperança muito grandes. Seria fantástico se pudéssemos controlar o processo de dano ao DNA e, consequentemente, do envelhecimento dos óvulos. Desta maneira conseguiríamos aumentar em muito as chances de gravidez nos tratamentos de reprodução humana, e estender a vida reprodutiva da mulher por longos anos adicionais.

Vale à pena acompanhar os desdobramentos deste estudo. Ficaremos atentos às publicações do grupo de cientistas do prof. Oktay, e esperamos em breve trazer excelentes novidades nesta área.

Espero que tenham aproveitado a leitura. Boa semana e até o próximo post !!

2 Comentários para “Redução no reparo do DNA do óvulo pode explicar queda da fertilidade com a idade”

  1. Valdineia pereira disse:

    Eu fiz a ligudura e o sonho do meu marido e ser pai sou ligada a 10 anos e agora. estou querendo arumar uma gravidez. E realizaram o sonho do meu marido .ele não tenho nem um filho e o sonho Deli e ser pai. Mim ajudaram realizaram o sonho dele……que deus atenções TDs vcs

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Valdineia,

    Você pode engravidar novamente sim, através da fertilização in-vitro (FIV).

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

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