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A maior proteção aos embriões em um ambiente de laboratório durante o tratamento de FIV poderia aumentar as taxas de gravidez em cerca de 25%. Um novo sistema, testado em um estudo recente, consiste de uma cadeia de incubadoras e cabines de segurança biológica totalmente fechadas e interligadas, proporcionando aos óvulos e embriões um ambiente muito mais controlado e protegido.

“O nosso objetivo era manter os óvulos e embriões em condições semelhantes às que eles teriam naturalmente dentro do corpo de uma mulher. Isto levou nossa equipe a projetar e desenvolver um sistema no qual é possível realizar todos os procedimentos técnicos mantendo condições estáveis, durante todo o processo de fertilização in vitro “, disse a professora Mary Herbert, que liderou a equipe de pesquisa no Centro de Fertilidade de Newcastle , na cidade de mesmo nome situada na Inglaterra.

O sistema convencional, que é usado atualmente na maioria dos laboratórios de fertilização in vitro requer que os embriões sejam removidos de suas incubadoras para verificar o seu desenvolvimento. Durante este curto período de tempo eles estão fora de seu ambiente de proteção, e é possível ocorrerem flutuações de temperatura e leves distúrbios na acidez, ou equilíbrio do pH, que podem influenciar o desenvolvimento do embrião.

Na realidade, o controle rigoroso das condições laboratoriais de cultivo na FIV sempre foi uma obsessão dos cientistas e de toda a equipe clínica envolvida no processo. Sabe-se de longa data que quanto mais preciso este controle, e mais próximas ao ambiente in-vivo (trompas e útero feminino) são os parâmetros, melhores a qualidade dos óvulos e embriões, e, consequentemente, melhores as taxas de gravidez no tratamento.

Por isso se faz uma medição constante de variáveis tais como a temperatura, umidade e níveis de CO2 (gás carbônico) do ambiente laboratorial, e dentro das incubadoras. Além disso o pH dos meios de cultura é repetidamente mensurado e mantido entre faixas muito estreitas (geralmente 7.35 a 7.45) para que se tenha um ótimo desenvolvimento embrionário.

Durante a manipulação e acompanhamento laboratorial das células e tecidos, a repetida abertura das portas das incubadoras, com retirada das placas com óvulos e embriões pode levar a variações nos parâmetros acima descritos, e alterar a qualidade dos tecidos biológicos trabalhados.

A grande “sacada” deste grupo de cientistas é tentar tornar o laboratório completo de FIV um grande sistema fechado, uma grande incubadora, com controle rigorosíssimo de todos os parâmetros. Assim, mesmo quando os óvulos são manipulados, ou injetados com espermatozoides, as condições ambientais circunvizinhas são mantidas no padrão ideal. O mesmo ocorre quando os embriões são examinados ou manipulados, para checagem de clivagem (divisão celular) ou troca de meio de cultura.

A equipe utilizou inicialmente embriões de camundongos para testar se o novo sistema resultou em um ambiente mais controlado para os embriões. Eles descobriram que tanto a temperatura quanto os níveis de pH foram significativamente mais estáveis no novo sistema em comparação com o sistema convencional.

Estudando embriões humanos, eles descobriram que os blastocistos, um estágio de 5º dia de vida de um embrião, formados no novo design laboratorial se desenvolviam mais rapidamente e continham mais células do que embriões cultivados no sistema convencional.

Finalmente, a equipe mediu quantas mulheres ficaram grávidas, comparando-se o sistema de fertilização in vitro convencional com o novo sistema totalmente fechado. Enquanto as taxas ficaram entre 32% e 35% com sistemas convencionais, 45% das mulheres ficaram grávidas com o novo sistema (aumento relativo de 23%). Neste grupo, as mulheres tinham 37 anos ou menos, pelo menos dez óvulos captados, e estavam realizando seu primeiro ciclo de tratamento.

Embora o aumento da taxa de gravidez bem sucedida pareça promissor, os pesquisadores alertam que mais estudos se fazem necessários, para confirmar que esta melhora tenha ocorrido apenas pela mudança no sistema laboratorial.

Alison Murdoch, professor de medicina reprodutiva e um dos diretores clínicos do Centro de Fertilidade de Newcastle disse: “Desde a instalação desta nova tecnologia mais de 850 bebês já nasceram. Formar e cultivar excelentes embriões é a chave para o sucesso de fertilização in vitro, e todos os casais, mesmo aqueles que têm uma perspectiva muito pequena de sucesso, merecem ter a melhor chance possível”.

Enquanto a nova tecnologia é testada em atuais ensaios clínicos, ainda em andamento, para confirmar os achados iniciais, reforçamos alguns conselhos para nossas pacientes aumentarem suas chances de sucesso.

Procurem sempre realizar seu tratamento de fertilização in–vitro (FIV) em clínicas conceituadas, com equipe técnica (médicos e embriologistas) capacitados e em contínua atualização, com rigoroso padrão e controle de qualidade laboratorial, salas classificadas com sistema de filtragem de ar ambiental (sala limpa), tecnologia de ponta, e um detalhe fundamental: um grande número de incubadoras!

Parece um detalhe, mas este último ponto é fundamental. Quanto maior o número de incubadoras, menor a frequência de abertura das portas, já que as placas de cultivo com os óvulos e embriões são distribuídas equitativamente entre elas. Assim, será menor a variação dos parâmetros (pH, temperatura, CO2), e melhor a qualidade de desenvolvimento dos embriões, o que vai refletir diretamente em uma maior taxa de gravidez.

Portanto, se informem detalhadamente sobre a estrutura clínica do centro de reprodução onde farão seu tratamento. Seu sonho de maternidade merece absoluto respeito.

Um abraço, e até a próxima semana!

14 Comentários para “Aumento no sucesso da fertilização IN VITRO com novo cultivo de embriões”

  1. larissa disse:

    dr. parabéns pelo seu trabalho

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Larissa,

    Obrigado pelo incentivo.

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

  3. fabioeugenio disse:

    Oi Joilma,

    Se estiver com dificuldade, consulta um especialista.

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

  4. viviane disse:

    oi dr.muito obrigado por ter mandado esse imail,estou com muito com vontade de fazer.tudo de bom…

  5. Aqui na alemanha precisamos pagar 200 euros a mais para deixar os embrioes nessa “encubadora especial”. Eu nem entendo de medicina, mas so de ler um pouco sobre processo de fiv ja pensei qeu a manipulacao dos ovulos… fora do ambiente do nosso corpo poderia comprometer a fixacao do ovulo. Quer dizer que eu estava certa nisso. Eu acho que pagarei sim, esse valor extra.Quero fazer de tudo para dar certo minha fiv. Desejo para todas as tentantes muita muita sorte.. e tudo dará certo.

  6. Dr Fábio Eugênio,fico muito feliz quando leio matérias sobre Fertilização.Pois tenho Hidrossalpingectomia e nesta Segunda-feira estou fazendo minha cirurgia para a retirada das Trompas e depois fazer a Fertilização In vitro,estou muito ansiosa e espero em Deus primeiramente e nos meus Médicos que de tudo certo.

  7. fabioeugenio disse:

    Oi Ana Paula,

    Você está no caminho certo. É importante a retirada das trompas antes da FIV nos casos de hidrossalpinge.

    Boa sorte !!

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  8. Fabiane caroline disse:

    Oi doutor tenho 29 anos fiz laqueadura a 6 e quero engravidar como faco. Sera q consigo

  9. fabioeugenio disse:

    Oi Fabiane,

    Você tem ótimas chances de gravidez pela FIV !!

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  10. Alessandra Bernardo disse:

    Olá me chamo Alessandra tenho 36 anos e fiz laqueadura a 9 anos.
    Me casei novamente e meu esposo não tem filhos e gostaria de dar um filho.
    Tenho chances?

  11. fabioeugenio disse:

    Oi Alessandra,

    As chances com a FIV são excelentes !!

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  12. pri disse:

    Gostaria de saber quantô custa fiv com manipulação de embriões pois tive uma filha que morreu com fibrose cirtica

  13. fabioeugenio disse:

    Oi Priscilla,

    A FIV tem custo médio de 12 mil reais + medicações.

    O PGD (análise genética) em torno de 10 a 15 mil reais.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

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