Apresentamos no congresso um trabalho desenvolvido na clínica BIOS (painel na foto acima) que relaciona a quantidade de óvulos produzidos por pacientes submetidas à estimulação ovariana na fertilização in-vitro (FIV), com o índice de massa corporal (IMC). O IMC é uma medida do percentual de gordura corporal em relacionando peso com altura.Existe comprovação científica de que o sobrepeso e a obesidade podem afetar a fertilidade humana. Na mulher, o IMC aumentado pode levar a problema ovulatórios, resistência “relativa” às gonadotrofinas, menor quantidade de óvulos nos ciclos de FIV, além de comprometimento da implantação embrionária e maior risco de complicações gestacionais.

Neste trabalho comparamos o número de óvulos captados em pacientes com IMC normal e aumentado. Concluímos que as pacientes com IMC maior produzem uma menor quantidade de óvulos maduros, apesar de que a diferença não alcançou significância estatística.

Portanto, é fundamental que os casais com dificuldades reprodutivas cultivem hábitos alimentares saudáveis, e procurem manter o IMC em faixas normais – até 25 kg/m2.

O segundo e terceiro dias do congresso, seguiram-se muito produtivos. Dois especialistas internacionais, o Dr. Roy Homburg de Israel, e o Dr. Georg Grisinger da Alemanha, proferiram palestra sobre maneiras de otimizar as respostas da paciente na estimulação ovariana para fertilização in-vitro. A escolha do protocolo ideal de medicações – “patient tailored” como dizem os ingleses – é a chave do processo.

Através de avaliação criteriosa do casal, levando em conta idade da mulher, fator de subfertilidade, doenças intercorrentes, e reserva ovariana, podemos decidir qual esquema de medicações vai oferecer a melhor resposta ovariana de produção de óvulos maduros, com minimização de riscos.

Nesta palestra os especialistas destacaram várias estratégias, como a mudança do bloqueio hipofisário (antagonista X agonista de GnRH), uso de adjuvantes como o LH, protocolos alternativos com os antiestrogênicos (Clomifeno, Letrozole), e ainda o uso de GH (hormônio do crescimento) ou DHEA (deidroepiandrosterona) na potencialização da resposta das pacientes com reserva baixa.

Outra discussão acalorada foi sobre endometriose, os avanços no seu tratamento e conduta na mulher subfértil com a doença. Especialistas de várias regiões do Brasil discutiram estas questões.

Está cada vez mais sedimentado que o tratamento clínico da endometriose (com medicações) é apenas paliativo, tem excelente efeito em aliviar as dores causadas pela doença, mas não melhora em nada a fertilidade da mulher.

Por outro lado, o tratamento cirúrgico (videolaparoscopia) é a modalidade definitiva de tratamento, por retirar todos os focos da doença. Existe ainda certa controvérsia quanto à melhora ou não da fertilidade após a cirurgia. E mais, sempre que a endometriose atingir os ovários (endometrioma) a abordagem cirúrgica deve ser bem avaliada, e executada com extrema cautela, pois pode haver perda importante da reserva ovariana com a cirurgia.

Confirma-se ainda o entendimento científico estabelecido de que os métodos de reprodução assistida, tanto a inseminação intra-uterina como a fertilização in-vitro (FIV), têm excelente indicação em mulheres com endometriose.

Bem, estes foram os pontos de destaque do congresso. Na próxima semana voltamos aos posts tradicionais, e vamos abordar detalhadamente a indução de ovulação na FIV. Até lá!!

6 Comentários para “XV Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida – Parte 2”

  1. Fernanda disse:

    Prezado Dr. Fábio Eugênio,
    Gostaria de informação, pacientes portadoras de endometriose que estão submetidas ao tratamento de FIV podem fazer uso de DHEA?
    Desde já, agradeço sua atenção

  2. fabioeugenio disse:

    Oi Fernanda,

    Podem fazer uso sim.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  3. luciane disse:

    Ola doutor fiz os primeiros exames para tentar a fertilizaçao e o doutor que me atendeu disse que eu tinha muitos ovulos e que teria que conversar com a equipe pra ver,nao comecei com as medicacoes ainda.A minha duvida é se é problema produzir muitos ovulos?e se mesmo assim vou precisar tomar medicamento?

  4. fabioeugenio disse:

    Oi Luciane,

    Nenhum problema. Pelo contrário, reserva ovariana alta é um fator positivo para a FIV.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  5. Ludmila disse:

    Doutor, boa noite! Estou com uma dúvida é gostaria que me auxiliasse. Gostaria de saber exatamente quantos dias após o primeiro dia do ciclo menstrual devo tomar a injeção bloqueadora Lorelin??? Pois vou transferir embriões congelados em agosto. É o meu médico disse que preciso tomar essa injeção. Exemplo: minha última menstruação veio 19/06 hoje faz 20 dias. Hoje seria o dia correto para essa aplicação?
    Desde já agradeço

  6. fabioeugenio disse:

    Oi Ludmila,

    Em geral na segunda fase do ciclo (por volta do 20o dia).

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

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