A subfertilidade masculina ainda é pouco conhecida em nível molecular e genético. A avaliação clínica do potencial reprodutivo do homem, realizada através do espermograma, tem grande variabilidade. Em outras palavras, muitos homens com espermograma normal podem “demorar” para engravidar suas companheiras, enquanto casais em que o homem tenha o espermograma alterado podem ser perfeitamente férteis.

Na tentativa de estabelecer novos métodos, mais eficientes e precisos, além do espermograma, para estabelecer a fertilidade masculina, muitos estudos têm sido feitos sobre vários parâmetros dos espermatozóides. Um exemplo são as pesquisas sobre a fragmentação do DNA espermático.

Mais recentemente, cientistas da universidade da Califórnia e da universidade Anhui na China descobriram um defeito genético específico que pode alterar de maneira importante a função do espermatozóide e sua capacidade de alcançar e fertilizar o óvulo. Eles descobriram que homens com deficiência de uma capa glicoproteica existente na superfície do espermatozóide demoram mais para engravidar suas parceiras.

Esta glicoproteína foi apelidada de beta-defensina 126. Esta proteína, existente na superfície dos espermatozóides auxilia na penetração e movimentação no muco cervical e nas trompas, além de proteger o espermatozóide de um eventual ataque do sistema imunológico feminino.

A informação para produção desta proteína vem de um gene, transmitido por herança recessiva. Homens com deficiência deste gene poderiam ter alteração na produção da beta-defensina, e serem subférteis. Herdamos um par destes genes – um vindo de nossa mãe e outro do nosso pai. Homens afetados pela alteração podem ter um, ou os dois genes alterados.

É importante explicar que homens com alteração nestes genes não são necessariamente inférteis. Muitas vezes apenas demoram mais tempo do que o usual para conseguir a gravidez. Mais pesquisas são fundamentais para confirmar os achados, e descobrir se algum tipo tratamento do sêmen destes homens com esta proteína poderia aumentar o seu potencial de fertilidade,

Este estudo científico demonstra de maneira cabal que muito ainda temos a aprender e descobrir acerca da estrutura do espermatozóide e sua fisiologia. 

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