Tecnologia é recurso no combate à gravidez múltipla - Foto: Jodieotte Studio - Medicina Reprodutiva - Dr. Fábio Eugênio

A fertilização in vitro é uma excelente opção para casais que não conseguem engravidar por vias naturais. No procedimento, o espermatozoide é injetado no óvulo em laboratório e só depois o embrião formado vai para o útero da mulher. Porém, essa técnica exige alguns cuidados ao ser usada, devido ao risco de gravidez múltipla.

O Brasil é um dos países do mundo com as maiores taxas de gravidez múltipla. Até 30% das gestações por fertilizações in vitro resultam em gêmeos, trigêmeos e, mais dificilmente, quadrigêmeos e quíntuplos. E os casais precisam se conscientizar de que a gravidez múltipla é de risco. Pode provocar na mãe pré-eclâmpsia (aumento de pressão arterial), diabetes gestacional e abertura precoce do colo uterino, com parto prematuro. Já para o bebê ocorre o problema da prematuridade, comum nesse tipo de gestação, associada à má formação dos órgãos, disfunções neurológicas e maior suscetibilidade a infecções hospitalares.

Isso acontece porque os casais ficam receosos de não obterem sucesso na transferência de um único embrião, e querem aumentar as chances de engravidar implantando o máximo de embriões. E, devido a limitações financeiras, preferem correr o risco da gravidez múltipla do que o da não-gravidez.

No entanto, em virtude aos avanços tecnológicos e da possibilidade de melhor seleção de espermatozoides e óvulos, é possível aperfeiçoar as chances de engravidar implantando um número menor de embriões. Em Fortaleza, já dispomos do aparelho denominado Super ICSI, que permite a visualização de até oito mil vezes o tamanho do espermatozoide, possibilitando escolher os de melhores características morfológicas. Em outros equipamentos essa ampliação está limitada a 400 vezes. Mais vantagens são proporcionadas pelo laser OCTAX EYE, que permite um afinamento do recobrimento (zona pelúcida) do embrião a ser implantado, aumentando as chances de fertilização. E ainda, a melhora contínua dos meios de cultivo e técnicas laboratoriais de cuidados com os embriões têm proporcionado chances cada vez melhores de gravidez.

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA: a gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos e mais), apesar de desejada por alguns casais que têm muita dificuldade para engravidar, deve ser considerada uma complicação dos tratamentos de reprodução humana. Sempre ressalto aos casais que o objetivo do tratamento é a obtenção de uma gravidez ÚNICA de um bebê saudável. Quando escapa um pouco da programação que venha uma gravidez dupla (gêmeos) que, normalmente, é uma gravidez cujo pré-natal cursa de maneira relativamente tranquila. O que devemos procurar evitar sempre são as gravidezes múltiplas de maior ordem como trigêmeos ou quadrigêmeos, que podem trazer riscos importantes para mãe e bebês.

Uma impressão errada da maioria dos casais é de que, quanto mais complexo o tratamento maior o risco de gravidez múltipla. Ou seja, eles acreditam que o risco de múltiplos é maior na fertilização in vitro do que na inseminação intra-uterina e o risco na inseminação seria maior do que na indução de ovulação simples medicamentosa. Não é bem assim. Na verdade, na fertilização in vitro, já que temos controle sobre o número de embriões a serem transferidos (decisão conjunta equipe médica – casal), podemos ter riscos por vezes menores do que em tratamentos mais simples. A razão é que na inseminação e na indução de ovulação não temos qualquer controle sobre o número de embriões que se formarão, já que este processo vai ocorrer naturalmente dentro do sistema reprodutivo da mulher. E então pode haver surpresas.

O fato inequívoco é que, com os avanços científicos e tecnológicos da reprodução assistida temos condições reais de reduzir cada vez mais os riscos de gravidez múltipla, que no Brasil ainda são muito altos. Na fertilização in vitro, utilizando critérios objetivos em relação ao perfil do casal e qualidade dos embriões, para decidir o número ideal a transferir, no sentido de maximizar as chances de gravidez e minimizar o risco de gemelaridade de maior ordem (três, quatro etc). Na inseminação intra-uterina e na indução de ovulação, uma monitorização ovariana criteriosa em relação a um número adequado de óvulos recrutados, e em caso de hiperresposta, coragem e honestidade de propor inclusive cancelamento daquele ciclo ao casal, se os riscos estimados de gravidez múltipla forem elevados.

8 Comentários para “Tecnologia é recurso no combate à gravidez múltipla”

  1. Ana disse:

    Os casais ficam receosos de não obterem sucesso na transferência de um único embrião e querem aumentar as chances de engravidar implantando o máximo de embriões. Mas não é devido a limitações financeiras apenas. É porque o dano psicológico do resultado negativo é imenso.

  2. tenho 46 anos numca tive filhos poque o medico tirou minhas trompas que estavam boas e metade de um ovario pois tinha cistos quando eu tinha 27anos.  Tentei recanalizar mas nao houve sucesso ele avia cortado  ate o terco acho que e isto. fas 15anos que sou casada sentimos muita falta de um filho tiraram meu direito de ser mae sou triste com isso.  ainda existe chance pra mim??

  3. tatiana Davi disse:

    Poderia montar uma equipe dessa em Salvador,sob seu comando.Abraços.

  4. fabioeugenio disse:

    Oi Tatiana,

    Obrigado pelo carinho.

    Infelizmente não podemos estar em todos os lugares, e ajudar todos que queremos ajudar.

    Mas em salvador você tem excelentes profissionais na área de reprodução assistida.

    Abraços,

    Dr. Fábio Eugênio

  5. Boa noite Dr, moro em Brasilia eu e meu esposo optamos pela FIV pois não tenho mais as trompas.Bom a programação é para julho , vou começar com as medicaçoes, mas agora estou bastante pertubada por uma decisão que tenho que tomar.Sou mae de treis crianças todas cesareas e estou casada ha 3 anos de novo , meu esposo não tem filhos e na verdade estava ceryo pelo menos na nossa cabeça de transferir 2 embriões , como houve uma troca de medico ele me disse que seria melhor transferir 1.Mas alem do custo que e alto ..tenho vontade desses gemeos , mas diante de todo exposto por ele ..estou sem saber o que fazer..Gostaria muito de ouvir sua opinião

  6. fabioeugenio disse:

    Cléria,

    Transferindo apenas 1 embrião as chances de gravidez são menores. Converse este detalhe com seu médico antes de decidir.

    Sua idade, e a qualidade dos embriões formados são aspectos importantes nesta decisão.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

  7. Débora disse:

    Boa tarde,

    Tenho 45 anos tive câncer de mama, hoje estou curada. Já fiz 2 TEC com meus embriões e não deram certo.
    Optei por doação e irei transferir blastocistos, eu queria transferir 2 (pesquisei na internet e a chance é de 40%, mas o médico insiste em transferir apenas 1, pois fala que corro muito risco com transferência de 2 blastocistos por causa do estradiol na gravidez gemelar. Gostaria de ouvir sua opinião

  8. fabioeugenio disse:

    Oi Débora,

    A chance é maior com transferência de 2, mas é fundamental seguir a orientação do seu oncologista para sua segurança.

    Abs,

    Dr. Fábio Eugênio

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